Compreender a análise sintática é importante para interpretar textos com precisão, resolver questões de língua portuguesa e redigir com clareza. Nos concursos militares, essa habilidade é frequentemente cobrada de forma interdisciplinar e exige domínio técnico aliado à prática constante.
Neste artigo, o Estratégia Militares explora os principais conceitos da análise sintática, explica a função de cada termo dentro da estrutura frasal e apresenta exemplos práticos que auxiliam na fixação do conteúdo. Confira!
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O que é análise sintática?
Análise sintática é o estudo das funções que as palavras e expressões exercem dentro da estrutura de uma oração. Ao contrário da morfologia, que se dedica à classificação das palavras, a sintaxe investiga como essas palavras se organizam para formar sentido em frases ou períodos.
A análise sintática divide-se em dois níveis principais:
- Análise da oração: identificação dos termos que compõem uma oração; e
- Análise do período: estudo das relações entre orações em um período (composto por mais de uma oração).
Diferença entre sintaxe, morfologia e semântica
Antes de mergulhar nos termos essenciais, é importante diferenciar:
- Sintaxe: analisa a função das palavras na frase;
- Morfologia: classifica as palavras quanto à sua forma (substantivo, verbo, adjetivo…); e
- Semântica: estuda o significado das palavras e expressões.
Logo, um verbo (morfologia) pode exercer a função de predicado (sintaxe) e significar uma ação (semântica). Cada uma dessas áreas contribui para uma compreensão total da linguagem.
Termos essenciais da oração
Toda oração possui dois elementos obrigatórios, chamados de termos essenciais:
Sujeito
É o termo sobre o qual se declara algo. Pode ser:
- Simples: “O aluno estudou.”
- Composto: “O aluno e a aluna estudaram.”
- Oculto (elíptico): “Estudou o conteúdo.” (Quem? Ele/Ela)
- Indeterminado: “Estuda-se com dedicação.”
- Inexistente: “Faz frio.” (Verbo impessoal)
Predicado
É o que se declara sobre o sujeito. Divide-se em:
- Verbal: verbo de ação. Ex: “O estudante correu.”
- Nominal: verbo de ligação + predicativo. Ex: “O aluno está confiante.”
- Verbo-nominal: ação + estado. Ex: “O aluno chegou cansado.”
Termos integrantes da oração
Esses termos completam o sentido dos verbos ou nomes, sendo indispensáveis à estrutura:
Objeto direto e indireto
- Objeto direto: complemento sem preposição. Ex: “Estudou matemática.”
- Objeto indireto: complemento com preposição. Ex: “Gostou de matemática.”
Complemento nominal
Acompanha um nome e é sempre preposicionado. Ex: “Temos orgulho de você.”
Agente da passiva
Indica quem realiza a ação na voz passiva. Ex: “O conteúdo foi estudado pelo aluno.”
Termos acessórios da oração
Adicionam informações que enriquecem a frase, mas sua ausência não compromete o sentido básico:
- Adjunto adnominal: caracteriza um nome. Ex: “As provas difíceis assustam.”
- Adjunto adverbial: indica circunstância. Ex: “Ele estudou ontem.”
- Aposto: explica ou resume. Ex: “Carlos, meu irmão, passou.”
- Vocativo: chamar alguém. Ex: “Pedro, venha aqui.”
Análise do período composto
Quando há mais de uma oração, ocorre o período composto. Nele, analisamos as orações coordenadas (independentes) e as orações subordinadas (dependentes):
Coordenação
- Assindética (sem conjunção): “Chegou, viu, venceu.”
- Sindética (com conjunção): “Estudou e passou.”
Tipos de orações coordenadas sindéticas:
- Aditiva: “Estudou e passou.”
- Adversativa: “Estudou, mas não passou.”
- Alternativa: “Ou estuda, ou reprova.”
- Conclusiva: “Estudou, portanto passou.”
- Explicativa: “Estude, pois quer passar.”
Subordinação
Classifica-se segundo a função que exerce na oração principal:
- Substantiva (funciona como sujeito, objeto, etc.): “É necessário que você estude.”
- Adjetiva (caracteriza o nome): “O aluno que passou estudou muito.”
- Adverbial (indica causa, tempo, condição…): “Se estudar, passará.”
Exemplos práticos com análise sintática completa
Exemplo 1
Frase: “Os estudantes dedicados passaram no concurso.”
- Sujeito: “Os estudantes dedicados” (núcleo: “estudantes”)
- Predicado: “passaram no concurso”
- Verbo: “passaram” (verbo intransitivo)
- Adjunto adnominal: “dedicados”
- Adjunto adverbial de lugar: “no concurso”
Exemplo 2
Frase: “O professor corrigiu as provas com atenção.”
- Sujeito: “O professor”
- Predicado: “corrigiu as provas com atenção”
- Verbo: “corrigiu” (verbo transitivo direto)
- Objeto direto: “as provas”
- Adjunto adverbial de modo: “com atenção”
Dicas para não errar em análise sintática
- Identifique o verbo primeiro para localizar o núcleo do predicado.
- Pergunte ao verbo: “Quem?” → sujeito; “O quê?” → objeto direto; “Para quê/de quê?” → objeto indireto.
- Verifique a preposição — ela é chave para diferenciar objetos e complementos nominais.
- Evite confundir sujeito com agente da passiva. Na voz passiva, o agente da passiva executa a ação; o sujeito sofre.
Como a análise sintática é cobrada nas provas militares
A cobrança desse assunto nas provas militares se concentra em dois grandes blocos: o período simples e o período composto.
Análise do período simples
Este é o foco principal e envolve a identificação dos termos essenciais, integrantes e acessórios da oração:
- Termos essenciais (sujeito e predicado): Classificação do Sujeito (simples, composto, oculto, indeterminado, oração sem sujeito). Muita atenção aos casos de Verbos Impessoais (como o verbo ‘haver’ no sentido de existir).
- Termos Integrantes: Diferenciação entre objeto direto e objeto indireto (Regência verbal). A distinção entre complemento nominal (CN) e adjunto adnominal (AA) é uma “pegadinha” clássica, exigindo atenção à proposição e ao termo que está sendo complementado/modificado.
- Adjuntos adverbiais: Principalmente a identificação da circunstância expressa (tempo, lugar, modo, causa, etc.) e a função do termo destacado na frase. A colocação dos adjuntos na ordem indireta (antes do verbo ou do sujeito) é usada para testar o conhecimento sobre o uso da vírgula.
- Predicação verbal: Classificação dos verbos quanto à transitividade e a consequente identificação do tipo de predicado (verbal, nominal ou verbo-nominal).
Análise do período composto
Embora o período simples seja mais frequente, o período composto também é essencial, especialmente em concursos de nível médio/superior (EsPCEx/AFA/EFOMM).
- Orações coordenadas: Classificação das orações (aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas) e o papel das conjunções coordenativas.
- Orações subordinadas substantivas: Identificação da função sintática exercida pela oração (subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa e apositiva).
- Orações subordinadas adjetivas: Distinção crucial entre as explicativas (uso de vírgulas, têm valor de aposto) e as restritivas (sem vírgulas, restringem o sentido do antecedente). O papel do pronome relativo (Que e Quem) é muito explorado.
- Orações subordinadas adverbiais: Classificação das orações (causa, condição, tempo, finalidade, etc.) e o papel das conjunções subordinativas correspondentes.
Funções morfossintáticas
Uma cobrança avançada envolve a fusão da Morfologia (classe de palavra) com a sintaxe (função na oração), principalmente em relação à palavra “QUE” e à partícula “SE”.
- Funções do “QUE”: Pode ser pronome relativo, conjunção integrante, conjunção comparativa, substantivo, etc. O candidato precisa identificar o papel sintático que o “que” ou a oração por ele introduzida está exercendo.
- Funções do “SE”: Pode ser partícula apassivadora (formando a voz passiva sintética), índice de indeterminação do sujeito, pronome reflexivo, parte integrante do verbo, etc. A correta classificação da partícula “se” é um tema recorrente e complexo.
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Confira essa questão do simulado EEAR:

ALTERNATIVA: C
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