Para você que está se preparando para concursos militares, dominar a língua portuguesa é tão crucial quanto entender de estratégia e tática! E dentro desse universo, a transitividade verbal é um conceito fundamental que pode ser o diferencial na sua prova de português. Compreender como os verbos se relacionam com seus complementos aprimora sua interpretação textual e sua capacidade de produzir textos claros e coesos.
Neste texto, vamos desvendar os mistérios dos verbos intransitivos, transitivos diretos, indiretos e bitransitivos, com exemplos práticos para você fixar de vez esse conteúdo essencial.
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O que é transitividade verbal?
A transitividade verbal é a capacidade de um verbo de exigir ou não um complemento para ter sentido completo. Essa diferença se baseia na necessidade (ou não) de um complemento que complete o sentido do verbo dentro da frase.
Enquanto os verbos transitivos exigem um objeto – seja direto, indireto ou ambos – para formar uma ideia completa, os verbos intransitivos têm sentido pleno, dispensando qualquer tipo de complemento. Confira os tipos e seus exemplo:
Verbos intransitivos (VI)
Os verbos intransitivos são aqueles que possuem sentido completo. Eles não necessitam de um complemento para que a oração faça sentido. Geralmente, indicam ação, estado ou fenômeno que se esgota no próprio sujeito.
Exemplos:
- “A criança dormiu.” (O verbo “dormir” não exige complemento, pois sua significação está inteira na forma verbal).
- “Os soldados voltaram.” (A ação de voltar não exige mais informações para ser compreendida).
- “O recruta caiu.” (A ação de cair é completa em si).
- “A aeronave decolou às cinco da manhã.” (Embora a frase tenha “às cinco da manhã”, esse termo indica apenas o momento da ação, funcionando como um adjunto adverbial de tempo, e não como objeto. A ação de decolar é completa em si).
Perceba que, mesmo que haja adjuntos adverbiais (de lugar, tempo, modo), eles não são complementos essenciais para o sentido do verbo.
Verbos transitivos (VT)
Ao contrário dos intransitivos, os verbos transitivos necessitam de um complemento para que a oração tenha sentido completo. Esse complemento é o que “recebe” ou “completa” a ação do verbo.
Exemplo:
“Leonardo comprou.” Nesse caso, o sentido da ação não está finalizado.
Surge a pergunta: “Comprou o quê?” Ao acrescentar o complemento, temos: “Leonardo comprou um computador.” Agora, o sentido está completo! O verbo “comprou” é transitivo direto, e “um computador” é o objeto direto.
Os verbos transitivos se dividem em três categorias:
Verbos Transitivos Diretos (VTD)
Os verbos transitivos diretos exigem um objeto direto (OD), que se liga ao verbo sem a necessidade de preposição. O objeto direto complementa o sentido do verbo de forma direta.
Exemplos:
- “O general comunicou a decisão.” (Quem comunica, comunica algo. “A decisão” é o objeto direto.)
- “Os engenheiros militares construíram uma ponte.” (Quem constrói, constrói algo. “Uma ponte” é o objeto direto.)
- “Você aprovou o plano?” (Quem aprova, aprova algo. “O plano” é o objeto direto.)
- “Ela vende doces caseiros.” (Vende o quê? “doces caseiros”. Verbo transitivo direto + objeto direto.)
Verbos Transitivos Indiretos (VTI)
Os verbos transitivos indiretos exigem um objeto indireto (OI), que se liga ao verbo com a necessidade de uma preposição (a, de, em, para, com, por, entre outras).
Exemplos:
- “Os militares obedecem aos superiores.” (Quem obedece, obedece a alguém. “Aos superiores” é o objeto indireto, introduzido pela preposição “a”).
- “Precisamos confiar na equipe.” (Quem confia, confia em algo/alguém. “Na equipe” é o objeto indireto, introduzido pela preposição “em”).
- “Os alunos aspiram a uma vaga na ESA.” (Quem aspira no sentido de desejar, aspira a algo. “A uma vaga na ESA” é o objeto indireto, introduzido pela preposição “a”).
- “João precisava de ajuda.” (Precisava de quê? “de ajuda”. Verbo transitivo indireto + objeto indireto).
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos (VTDI ou Bitransitivos)
Os verbos transitivos diretos e indiretos, também conhecidos como bitransitivos, são aqueles que exigem tanto um objeto direto quanto um objeto indireto para completar seu sentido. Eles “passam” a ação para dois complementos: um sem preposição e outro com preposição.
Exemplos:
- “O instrutor entregou o manual aos cadetes.” (Quem entrega, entrega algo [o manual – OD] a alguém [aos cadetes – OI]).
- “O sargento informou a data do exercício à tropa.” (Quem informa, informa algo [a data do exercício – OD] a alguém [à tropa – OI]).
- “A nova política garantiu mais benefícios aos veteranos.” (Quem garante, garante algo [mais benefícios – OD] a alguém [aos veteranos – OI]).
- “Dei um presente ao amigo.” (Dei o quê? “um presente” (OD) + a quem? “ao amigo” (OI)).
Como identificar se um verbo é transitivo ou intransitivo?
A melhor forma de identificar se um verbo é transitivo ou intransitivo é inverter o processo de formação da frase. Ou seja, ao se deparar com o verbo, perguntar “o quê?” ou “de quê?” após o verbo faz sentido. Se a resposta a essas perguntas for necessária para completar a ideia, o verbo é transitivo. Se, por outro lado, não houver lacuna de sentido, trata-se de um verbo intransitivo.
Compare os seguintes exemplos:
- Verbos transitivos:
- “Ela leu o livro.” (Leu o quê? “o livro”).
Verbo transitivo direto + objeto direto. - “Ele precisa de apoio.” (Precisa de quê? “de apoio”).
Verbo transitivo indireto + objeto indireto.
- “Ela leu o livro.” (Leu o quê? “o livro”).
- Verbos intransitivos:
- “Meu avô faleceu.”
Sentido completo. Nenhum complemento é necessário. - “O bebê nasceu em casa.”
O local não é um objeto, mas sim um adjunto adverbial de lugar.
- “Meu avô faleceu.”
A importância de identificar a transitividade verbal
Compreender a transitividade verbal vai além de apenas classificar o verbo. Ela impacta diretamente a regência verbal, que é a relação de dependência entre o verbo e seus complementos. Erros de regência podem comprometer a clareza e a correção gramatical de suas frases, aspectos cruciais em qualquer prova de português de concurso militar.
Além disso, a transitividade verbal é fundamental para a análise sintática da oração, já que permite identificar corretamente os termos que a compõem e, consequentemente, interpretar de forma mais precisa o sentido das frases.
Essa habilidade é crucial na redação, pois garante construções gramaticais corretas, que respeitam os requisitos de regência verbal, ponto frequentemente avaliado na coesão e coerência textual.
Dica para os estudos
- Domine a teoria: Entenda bem o conceito de cada tipo de verbo e a função dos objetos direto e indireto.
- Aprenda as preposições: Saber quais preposições são exigidas por quais verbos é crucial para identificar o objeto indireto e evitar erros de regência.
- Pratique com exercícios: A melhor forma de fixar o conteúdo é resolver muitas questões de provas anteriores de concursos militares. Isso te ajudará a identificar os padrões de cobrança e a agilizar sua análise.
- Atenção às “pegadinhas”: Alguns verbos podem ter transitividade diferente dependendo do sentido em que são empregados (ex: “assistir” no sentido de “ver” vs. “assistir” no sentido de “prestar assistência”). Fique atento a esses casos.
Portanto, ao dominar a transitividade verbal, você estará não apenas preparado para as questões diretas, mas também para aprimorar sua interpretação de texto e a qualidade da sua redação, aspectos essenciais para o sucesso nos concursos militares.
Teste seus conhecimentos
Agora que você mergulhou fundo na transitividade verbal e compreendeu seus tipos e a importância para as provas militares, é hora de colocar o conhecimento em prática. Separamos algumas questões para você testar sua compreensão e ver como o assunto é cobrado. Lembre-se: no Banco de Questões do Estratégia Militares, você encontrará centenas de exercícios similares para aprimorar ainda mais sua preparação.
Exercício I:
Confira essa questão da EEAR 2022:
ALTERNATIVA: D
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Exercício II:
Confira essa questão da EEAR 2022:

ALTERNATIVA: C
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