A produção de proteínas é um processo fascinante e essencial para o funcionamento das células. Desvendar como ocorre a síntese proteica, especialmente as etapas de transcrição e tradução, é um passo fundamental rumo à compreensão da biologia molecular!
Neste texto, você vai entender cada fase desse mecanismo. Vamos lá?
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O fluxo da informação genética: do DNA à proteína
A síntese de proteínas começa com o DNA, a molécula que contém todas as informações genéticas do organismo. O caminho segue um fluxo conhecido como dogma central da biologia molecular, com três etapas principais:
- Transcrição: processo em que a informação do DNA é copiada para uma molécula de RNA mensageiro (mRNA).
- Processamento do RNA (em eucariotos): alterações que tornam o mRNA funcional.
- Tradução: a informação do mRNA é “lida” pelos ribossomos para fabricar uma proteína.
Cada fase é altamente coordenada, e essencial para a expressão dos genes que determinam as características do organismo.
Etapa 1: Transcrição
Durante a transcrição, um segmento específico do DNA, geralmente um gene codificador, é utilizado como molde para gerar o RNA mensageiro (mRNA).

Fase de iniciação
- A RNA polimerase, enzima responsável pela transcrição, se liga à região promotora do gene no DNA.
- Essa região sinaliza onde a transcrição deve começar.
- Em procariotos, esse processo é mais simples, enquanto em eucariotos envolve proteínas acessórias chamadas fatores de transcrição.
Fase de alongamento
- A RNA polimerase separa temporariamente as fitas do DNA.
- Em seguida, ela adiciona nucleotídeos ao RNA utilizando a fita molde de DNA como referência.
- A síntese do RNA ocorre no sentido 5’ → 3’, complementando os pares com a fita molde (C-G, A-U no RNA).
Fase de terminação
- Quando a RNA polimerase chega ao sinal de parada, ela encerra a transcrição.
- O mRNA recém-formado se desprende da fita de DNA.
O que ocorre após a transcrição?
Nos organismos eucariontes, o RNA transcrito primário (pré-mRNA) precisa ser processado antes de seguir para a tradução.
Modificações pós-transcricionais típicas:
- Adição de cap 5’: um nucleotídeo modificado, chamado CAP, é adicionado à extremidade 5’ do mRNA para protegê-lo e auxiliar no reconhecimento pelos ribossomos.
- Adição de cauda poli-A: ao final 3’, adicionam-se dezenas ou centenas de adeninas, o que estabiliza a molécula de mRNA.
- Splicing: remoção dos íntrons (segmentos não codificantes) e união dos éxons (segmentos codificantes), formando o mRNA maduro.
Após esse processamento, o mRNA é transportado do núcleo para o citoplasma, onde ocorre a tradução.
Etapa 2: Tradução
A tradução é o processo que transforma a “linguagem” do RNA (baseada em nucleotídeos) na “linguagem” das proteínas (baseada em aminoácidos).

Ribossomos: o local da tradução
- Os ribossomos, compostos por RNA ribossômico (rRNA) e proteínas, atuam como uma verdadeira fábrica de proteínas.
- Eles “leem” os códons (trincas de bases) do mRNA e montam os aminoácidos em ordem correta.
Etapas da tradução
Iniciação
- O ribossomo se posiciona no códon de início (AUG) do mRNA.
- Esse códon associa-se à molécula de tRNA iniciador, que carrega a metionina, primeiro aminoácido da cadeia proteica.
Alongamento
- O ribossomo continua movimentando-se ao longo do mRNA, códon por códon.
- Para cada códon, um tRNA compatível traz o aminoácido correspondente.
- Esses aminoácidos são ligados por ligações peptídicas, formando a cadeia polipeptídica crescente.
Terminação
- Quando o ribossomo encontra um códon de parada (UAA, UAG ou UGA), a tradução é interrompida.
- A proteína recém-sintetizada é liberada.
Importância biológica das etapas
As etapas da síntese proteica garantem a produção correta das proteínas responsáveis por funções vitais:
- Enzimas (como a DNA polimerase ou a lactase).
- Hormônios (como insulina).
- Anticorpos.
- Estruturas celulares (como actina e miosina).
Qualquer erro nessas etapas, mutações no DNA, falhas na transcrição ou tradução, pode levar à produção de proteínas defeituosas, com consequências graves para o organismo, incluindo doenças genéticas e câncer.
Diferenças entre eucariotos e procariotos
As principais diferenças entre eucariotos e procariotos estão na organização celular, na estrutura do material genético e na complexidade das funções vitais.
| Característica | Eucariotos | Procariotos |
|---|---|---|
| Local da transcrição | Núcleo | Citoplasma |
| Modificações no mRNA | Sim (recapeamento, cauda poli-A, splicing) | Não há modificações |
| Tempo entre transcrição e tradução | Tradução só ocorre após processamento | Ocorrem simultaneamente |
| Presença de íntrons | Sim | Não |
| RNA polimerases | Três tipos (I, II e III) | Um tipo principal |
Como esses conhecimentos caem em provas?
A síntese proteica é um dos tópicos mais recorrentes nos concursos militares. As questões costumam testar:
- A sequência correta das etapas (DNA → RNA → proteína)
- O papel do RNA mensageiro, ribossomo e tRNA.
- A localização do processo nas células procarióticas e eucarióticas.
- A habilidade do aluno de interpretar esquemas e fluxogramas.
Além disso, perguntas interdisciplinares que conectam biologia como genética molecular e fisiologia são comuns, o que exige raciocínio integrado.
Exercício
1 – Durante a transcrição, a RNA polimerase utiliza uma das fitas do DNA como molde para formar o RNA mensageiro (mRNA).
Observe o trecho de DNA a seguir:
Fita molde: 3’ – TAC GGC ATT – 5’
a) Escreva a sequência de mRNA formada.
b) Qual é a função da RNA polimerase nesse processo?
Resolução:
a) A sequência de mRNA é 5’ – AUG CCG UAA – 3’
(Lembre-se: o RNA é complementar e antiparalelo à fita molde, substituindo T por U.)
b) A RNA polimerase é a enzima que lê a fita molde do DNA e sintetiza o RNA mensageiro, unindo os nucleotídeos complementares (A-U, T-A, C-G, G-C).
2 –O mRNA produzido na transcrição será traduzido em uma sequência de aminoácidos.
Suponha que o mRNA apresente a seguinte sequência:
mRNA: AUG GGC UAA
a) Indique os aminoácidos codificados (use a tabela genética).
b) Explique o que ocorre quando o ribossomo encontra o códon UAA.
Resolução:
a)
- AUG → Metionina (início)
- GGC → Glicina
- UAA → Códon de parada
Sequência de aminoácidos: Metionina – Glicina
b) O códon UAA é um sinal de terminação, que interrompe a tradução. O ribossomo se desprende do mRNA e o polipeptídeo recém-sintetizado é liberado.
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