Conquistar uma vaga em um concurso militar é um desafio que exige resiliência, estratégia e muitas renúncias. Mas para Pedro Henrique Gonçalves Mahfuz, de 20 anos, natural de São Paulo (SP), o desafio foi superado com excelência: ele alcançou o 1º lugar na opção OPC 1 do concurso da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) 2027.1.
O que torna esse feito ainda mais impressionante é que Pedro realizou a prova da EEAR como um teste. Seu grande sonho sempre foi ingressar na Academia da Força Aérea (AFA) – um chamado que ele credita ao seu propósito de vida e à sua forte conexão espiritual.
Neste perfil exclusivo para o portal Estratégia Naval, mergulhamos na rotina, nos desafios e nas táticas de estudo que levaram Pedro ao topo da lista de aprovados.
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A base: superando a escola pública e a comparação
Vindo de escolas públicas durante toda a sua vida acadêmica, Pedro sabia que a base oferecida pelo ensino regular não seria suficiente para o altíssimo nível de aprofundamento exigido pelos certames militares.
O maior fantasma de sua preparação foi a comparação. “Dentre milhares de concorrentes, o que me faz diferente dos demais? Essa pergunta era recorrente na minha cabeça, principalmente quando eu via a miríade de pessoas entrando comigo na universidade para fazer a prova”, confessa o jovem.
Para vencer essa barreira mental, ele contou com o apoio fundamental de antigos professores, especialmente os de Filosofia, que o ajudaram a acreditar que ele poderia chegar aonde quisesse. Além disso, o suporte incondicional de sua mãe – que sustentou a casa para que ele pudesse se dedicar integralmente aos cadernos – foi a âncora que permitiu sua jornada.
7 horas de estudo líquido e a estratégia do cronômetro
A disciplina de Pedro é o seu traço mais marcante. Sua rotina de estudos para o concurso EEAR não dava margem para autoenganos. Ele estudava, em média, 7 horas líquidas por dia.
“Se eu ia ao banheiro ou fazia alguma coisa diferente de estudar, mesmo que por pouco tempo, pausava o cronômetro. Essas 7h eram de puro estudo”, explica. Ele dividia seu dia em blocos (manhã, tarde e noite) e focava nas matérias em que sentia mais necessidade e lacunas.
Na reta final do concurso, Pedro implementou uma tática de guerra: simulados fixos todas as quartas-feiras. Os demais dias da semana eram dedicados a identificar e corrigir impiedosamente os seus erros. Nas horas de descanso, o paulistano assistia a séries e podcasts durante as refeições, lutando diariamente contra a tentação de prolongar o lazer.
O diferencial do Estratégia Militares na aprovação
Buscando materiais de ponta nas redes sociais, Pedro encontrou o Estratégia Militares, que se tornou a sua principal ferramenta de estudos. Fã das videoaulas e leitor assíduo do Portal do Estratégia, ele destaca que o ensino a distância não foi um problema; pelo contrário, forçou-o a ter autonomia e flexibilidade.
Para ele, o grande diferencial do curso não foi apenas o conteúdo, mas a construção do que ele chama de “mentalidade de concurseiro”.
“Não adianta apenas dominar o conteúdo. É necessário direcionar os estudos para conhecer a banca, padronizar raciocínios de questões recorrentes e montar uma estratégia de prova” relata Pedro, elogiando as lives de revisão, os “bizus” dos professores e o cuidado da equipe com o aluno. A professora Fabíola, de quem se tornou fã pela excelente didática, foi sua grande companheira virtual de jornada.
Renúncias, fé e os próximos voos
Para ver seu nome no topo da lista, Pedro precisou dizer muitos “nãos”. Ele abriu mão de entrar em uma universidade qualquer apenas por pressão social, não arrumou um emprego convencional (graças ao apoio da mãe) e até mesmo deu um tempo em seu relacionamento amoroso para focar no seu futuro.
Quando o cansaço batia forte, sua força motriz vinha do alto. “Deus. Eu lembrava do meu chamado. Jesus não foi apenas o meu Deus, mas também meu mestre e consolador. Lendo a Bíblia, tive acesso a muitos princípios que me ajudaram” conta o futuro militar.
Hoje, além de manter o foco no processo seletivo da AFA, ele já planeja seu futuro: almeja uma formação sólida na Força Aérea Brasileira (FAB), sonha em comprar uma moto Himalayan 450, casar-se, viajar para lugares como Japão, Fiji e Montenegro, e aprender a tocar violão.
O conselho de ouro do 1º colocado
Para os guerreiros que ainda estão na trincheira estudando para os concursos militares, o recado do nosso 01 é direto e foge dos clichês da internet:
“A primeira grande diferença entre quem é aprovado e quem não é, é começar. A segunda, é continuar. Olhe para seus próprios pés, porque em algum momento você chegará ao destino. E não busque eficiência a todo instante (o melhor método, a melhor rotina…), pois isso consome tempo demais. Isso é um hiperfoco da modernidade. Os heróis da história começaram com o que tinham e foram aprimorando com o tempo.”
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Imagens
Foto do classificado: Arquivo pessoal/Pedro Henrique Gonçalves Mahfuz
Foto de fundo: Força Aérea Brasileira
Imagem gerada por IA.



