Já pensou em passar o inverno no continente mais gelado do planeta? Os ventos incessantes, toneladas de neve e o mar congelado que não permite a aproximação de nenhum navio… só de pensar nos desafios sobe aquele frio na espinha! Mas, você sabia que o Brasil já conquistou esse feito? E mais: há exatamente 40 anos atrás!
Para comemorar o aniversário da primeira invernada do Brasil na Antártica, o Comandante da Marinha e representantes dos Ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação fizeram uma visita, no começo de março de 2026, à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), a base brasileira no continente gelado.
O Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) é um projeto profundamente ligado às Forças Armadas e é essencial para a influência geopolítica do nosso país. O Portal Estratégia Militares traz para você qual foi a importância da primeira invernada do Brasil na Antártica e os desafios de permanecer no continente!
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O que é o PROANTAR?
A Antártica não pertence a nenhum país em particular e ele só pode ser explorado para fins pacíficos. As decisões com relação ao Continente Branco são feitas pelos países-membros do Tratado Antártica, um acordo internacional firmado em 1959. Para poder participar, o Brasil criou o PROANTAR, ou o Programa Antártico Brasileiro, em 12 de janeiro de 1982.
O PROANTAR é o responsável por promover as pesquisas científicas do Brasil na Antártica e organizar as expedições até o continente – e isso só é possível com a atuação conjunta da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira (FAB)! As duas forças são as responsáveis por toda a logística de transportes e abastecimento das operações antárticas.
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Por que a 1a invernada foi importante?
A Estação Comandante Ferraz foi inaugurada em 1984, mas a primeira invernada do Brasil na Antártica só foi acontecer, de fato, em 1986. Na época, 11 brasileiros, entre pesquisadores e militares, ficaram estacionados no continente durante todos os 8 meses do inverno antártico.

Todos os anos a PROANTAR organiza as Operações Antárticas (OPERANTAR), cada uma com um objetivo estabelecido. O primeiro inverno do Brasil no Continente Branco aconteceu durante a OPERANTAR IV. A EACF era pouco mais que um agrupamento de contêineres, chamados de módulos, com 150 m2.
Para que a primeira invernada fosse possível, a estação – que tinha 36 módulos – foi ampliada em 14 módulos, dos quais seis eram tanques de combustível. Vale lembrar que a infraestrutura era muito mais precária, de forma que os brasileiros não podiam esperar qualquer apoio logístico durante os 8 meses de inverno.
O sucesso da OPERANTAR IV foi uma conquista histórica para o Brasil e serviu para consolidar a posição do nosso país como membro consultivo do Tratado Antártida. Para comemorar a data, representantes dos Ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação fizeram uma visita à EACF.
Veja a seguir o vídeo divulgado pela Agência Marinha de Notícias em comemoração!
O inverno na Antártica
O que faz o inverno na Antártica ser tão desafiador? Bem, imagine como seria não ver a luz do sol por 8 meses. Junte isso ao frio extremo, com médias de -60oC, ventos incessantes e terá uma ideia do que é o clima no lugar mais inóspito da Terra. Além disso, o oceano congela ao redor da Antártica, o que impossibilita o acesso de navios ao continente.
Para sobreviver em tais condições, os pesquisadores e militares estacionados na Estação Comandante Ferraz contam com diferentes tipos de transporte e arranjos logísticos. Um exemplo é a entrega de suprimentos durante o inverno: ela se tornou possível pela primeira vez em 1992, quando foi feito o 1o lançamento de cargas por paraquedas.
Hoje em dia, a FAB é a responsável por fazer esses lançamentos de suprimentos com as aeronaves C-130 Hércules, KC-390 Millennium e, mais recentemente, o C-105 Amazonas, os nossos grandes aviões cargueiros. Veja a seguir o primeiro lançamento de cargas feitas pelo KC-390 Millennium na Antártica:
Embora a maior parte das atividades aconteça dentro da EACF durante o inverno, ainda são necessários veículos que consigam se locomover pela neve e solo congelado sob temperaturas extremas. Por isso, a estação conta com 12 tipos diferentes de veículos, que vão desde caminhões guindaste a motos de neve.
Algumas particularidades desses veículos incluem combustível e óleo específicos para climas com temperaturas negativas e pneus que podem ser adaptados com correntes ou esteiras, necessárias para gerar tração na neve.

Agora, que tipo de pesquisa é desenvolvida durante os meses de inverno? De forma geral, as pesquisas realizadas na EACF giram em torno de áreas como microbiologia, biotecnologia, meteorologia e vigilância epidemiológica, segundo as informações divulgadas pela Agência Marinha de Notícias.
O tema mais recente é “como o corpo e a mente humanos reagem a longos períodos em ambientes classificados como isolados, confinados e extremos?”, uma pesquisa que está em desenvolvimento desde 2025 e que deve ter dados coletados por todo o inverno antártico de 2026. Você pode ver mais detalhes na matéria publicada pela Marinha!
Navios Polares
Não dá para falar da Antártica sem falar também dos navios polares! Embora eles não possam acessar o continente durante os meses de inverno, as embarcações ainda são essenciais para transportar os pesquisadores e militares a cada início e fim de ciclos de pesquisa.
Além disso, os navios polares são essenciais para as pesquisas realizadas no mar ou em ambientes afastados durante os meses de verão. Eles são construídos especificamente para navegar em águas com gelo fragmentado e são equipados para aguentar mais ou menos 40 dias nesses ambientes extremos. Atualmente, a Marinha conta com dois deles: o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” e o Navio Polar “Almirante Maximiano”.

Em 2026 está prevista a entrega de um novo navio polar – o primeiro construído totalmente no Brasil. Ele foi nomeado de Navio Polar “Almirante Saldanha” e terá cerca de 103 metros de comprimento, autonomia de 70 dias e capacidade para 95 tripulantes, segundo informado pela Agência Marinha de Notícias.
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Fontes:
- https://www.agencia.marinha.mil.br/apoio-pesquisa/marinha-celebra-40-anos-da-primeira-invernada-na-antartica
- https://militares.estrategia.com/portal/mundo-militar/datas-comemorativas/estacao-brasileira-na-antartica-aniversario-06-fevereiro/
- https://militares.estrategia.com/portal/mundo-militar/forcas-armadas/programa-antartico-brasileiro-e-as-forcas-armadas/
- https://www.agencia.marinha.mil.br/ciencia-e-tecnologia/projeto-apoiado-pela-marinha-investiga-limites-do-corpo-humano-no-ambiente
- https://www.agencia.marinha.mil.br/apoio-pesquisa/dia-mundial-da-antartica-quatro-decadas-de-pesquisa-da-marinha-do-brasil-no
- https://www.agencia.marinha.mil.br/especial/conheca-atuacao-da-aviacao-naval-na-antartica
- https://www.agencia.marinha.mil.br/ciencia-e-tecnologia/frota-que-move-o-brasil-na-antartica
- https://www.marinha.mil.br/secirm/pt-br/proantar/eacf



