Estreito de Ormuz: o que é e sua importância para a guerra EUA-Irã

Estreito de Ormuz: o que é e sua importância para a guerra EUA-Irã

Um dos pontos-chave no conflito entre os Estados Unidos e o Irã nos últimos meses é o Estreito de Ormuz, um local de passagem marítima com enorme valor estratégico para o mundo todo. No começo da semana, no dia 13 de abril de 2026, os EUA anunciaram o bloqueio do Estreito de Ormuz, após o fracasso nas negociações de paz. 

Os efeitos do conflito impactam o mercado energético internacional – até mesmo no Brasil. Em um artigo publicado pela Agência Marinha de Notícias, a MB afirma: “A escalada de tensões no Oriente Médio evidencia como ações localizadas podem gerar efeitos imediatos sobre cadeias logísticas, mercados energéticos e fluxos comerciais”. 

Quer saber mais sobre o Estreito de Ormuz? O Estratégia Militares conta sua importância, o impacto dos conflitos na região e como as repercussões afetam o Brasil!

O que é o Estreito de Ormuz? 

O Estreito de Ormuz é uma faixa marítima que liga o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico e é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural liquefeito do mundo atualmente. Em seu ponto mais estreito, chega a ter 33 quilômetros de largura. 

Sua importância estratégica não é recente. O Estreito de Ormuz já foi alvo de conquistas portuguesas durante as Grandes Navegações, de ataques mongóis, domínio persa, entre outros. Sua localização a tornava a principal rota comercial entre a Península Arábica e as nações asiáticas. 

Hoje em dia, o Estreito de Ormuz não pertence a nenhum país em específico e fica sob a administração da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM). Na teoria, estreitos internacionais permitem a “passagem em trânsito” sem qualquer obstrução de qualquer embarcação, inclusive militares.  

No entanto, com o Irã na sua costa norte e os Emirados Árabes e Omã na sua costa sul, na prática, o Estreito de Ormuz está sujeito a constantes disputas toda vez que as tensões se elevam entre os países. 

Mapa do Estreito de Ormuz. Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artificial (Gemini/Google)

Qual a sua importância? 

Os principais fornecedores de petróleo e gás natural da OPEP – ou a Organização de Países Exportadores de Petróleo – incluem a Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos. Todos esses países dependem do Estreito de Ormuz para a passagem dos navios petroleiros. 

Por causa disso, quase 30% da exportação mundial por via marítima de petróleo depende do Estreito de Ormuz, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). Isso equivale a 20% do consumo global total de líquidos de petróleo. 

Qualquer conflito na região ameaça paralisar a exportação de petróleo e gás natural da qual depende boa parte do mundo. As repercussões econômicas são tamanhas que podem provocar recessão em vários países, como ocorreu no anos 1970, durante a guerra do Yom Kippur. 

Conflitos no Estreito de Ormuz 

Disputas pelo controle do Estreito de Ormuz existem há séculos. Na modernidade, as crises do petróleo, que aconteceram em decorrência da Guerra do Yom Kippur, foram uma das primeiras ocasiões a mostrar o impacto global de problemas na região. 

Em seguida, veio o conflito entre o Irã e o Iraque, que aconteceu entre 1980 e 1988. Navios petroleiros eram constantemente atacados por adversários. Mísseis, minas navais e ataques aéreos impediam a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, encarecendo o petróleo no mundo todo. 

Desde então, toda vez que o Irã sofre sanções comerciais ou deseja colocar pressão em questões internacionais surgem ameaças do fechamento do estreito ou bloqueio de navios. As tensões se agravaram com as críticas ao programa nuclear iraniano nos últimos anos. 

Guerra EUA-Irã 

Em fevereiro de 2026, a guerra aberta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã estourou. Em resposta aos ataques, o Estreito de Ormuz foi fechado pelos iranianos. Quaisquer embarcações – sejam comerciais ou não – estão sob risco de ataque de embarcações rápidas e até drones da Guarda Revolucionária iraniana. Sem falar no risco das minas navais espalhadas pelo estreito. 

Um cessar-fogo foi instituído numa tentativa de negociações de paz no começo de abril, sem sucesso até o momento. Durante o cessar-fogo, foi estabelecida a garantia de passagem segura pelo estreito. Cerca de 60 navios conseguiram fazer a travessia durante esse período. Porém, no dia 13 de abril, os EUA então declararam um bloqueio no Estreito de Ormuz para qualquer navio indo ou vindo dos portos iranianos. 

A instabilidade fez os preços do petróleo dispararem. Se antes da guerra, a média do preço do barril era de US$ 70, durante o conflito, os valores subiram para mais de US$ 100. Com o cessar-fogo em andamento, os preços caíram um pouco e ficaram na média de US$ 90 (dados de 16/04/2026). 

Como o conflito afeta o Brasil? 

Embora distantes fisicamente, o bloqueio do Estreito de Ormuz e o conflito entre EUA e Irã também impactam o Brasil. Além dos efeitos econômicos resultantes do aumento do preço dos combustíveis, a guerra põe em evidência a vulnerabilidade das rotas marítimas e a importância de uma Marinha capaz. 

Nas palavras do Subchefe de Estratégia do Estado-Maior da Armada, Contra-Almirante Sandro Baptista Monteiro: “Esse cenário internacional reforça a necessidade de que países com grande dependência do comércio marítimo, como o Brasil, disponham de capacidades navais adequadas para proteger suas próprias rotas marítimas” afirmou em entrevista para a Agência Marinha de Notícias.   

Teste de mísseis. Fonte: Agência Marinha de Notícias

Além disso, a guerra sinaliza a mudança nos estilos de combate dos conflitos modernos, que envolve mais ataques à distância e uso intensivo de tecnologias de baixo custo, mas altamente eficientes, como drones.  

Outra questão a se considerar é que, com o bloqueio do Estreito de Ormuz, faz-se necessário buscar rotas marítimas alternativas – e uma delas é seguir para o Atlântico Sul. “Cerca de 95% do comércio exterior brasileiro transita pelo mar. Também no espaço marítimo nacional se concentram mais de 95% da produção brasileira de petróleo e gás”, informa a Agência Marinha de Notícias. 

Com o tráfego marítimo deslocado para as proximidades dos nossos mares, aumenta a responsabilidade da Marinha do Brasil de garantir a segurança e a nossa soberania na região, em especial na nossa Amazônia Azul e na Margem Equatorial

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