As civilizações clássicas: a expansão romana e a crise na República

As civilizações clássicas: a expansão romana e a crise na República

A evolução romana avançava de modo pleno no século V a.C., depois de consolidar a organização republicana, Roma deu início a uma política externa tanto ofensiva quanto defensiva. Para saber mais, confira esse artigo que o Estratégia Militares preparou para você!

O processo de dominação exercido no espaço de cinco séculos permitiu que os romanos cobrissem boa parte da Europa, da Ásia e da África. Isso garantiu a difusão e a continuidade da cultura romana e transformou a cidade em um grande império.

Vários fatores foram determinantes para essa expansão. De origem camponesa, o povo romano cobiçou as melhores terras que podiam ser exploradas. Além delas, os romanos necessitavam de mais trabalhadores para a agricultura, o que seria possível com a escravização dos povos dominados.

Havia também a necessidade de garantir a segurança, já que a simples presença de outros povos nas proximidades levou os romanos a se preocuparem com a preservação de sua própria independência – assim, eles destruíram a dos outros.

A localização geográfica de Roma facilitava a obtenção de algumas matérias-primas e o controle do comércio na região mediterrânea – que passou a ser monopolizado –, o que aumentou os lucros dos grandes comerciantes, que constituíam a parte rica da plebe. 

Outro fator de grande influência para a expansão territorial de Roma foi a excelente organização do Exército romano, que contava em suas fileiras não só com cidadãos romanos, mas também com soldados das regiões submetidas, além de armas de combate aperfeiçoadas – como as catapultas, os aríetes e as torres móveis.

Soldados romanos

Expansão romana

Por volta de 265 a.C., Roma já havia conquistado e anexado toda a Itália, impondo seu domínio sobre os etruscos, os gauleses e as cidades gregas ao sul da Península. Foi natural e inevitável que se lançasse, então, as novas campanhas imperialistas.

A expansão romana para fora da Itália iniciou-se com o ataque contra Cartago – colônia fenícia localizada no Norte da África – que dominava a navegação e o comércio no ocidente do Mediterrâneo. 

Os interesses econômicos cartagineses nessa região tinham sido afetados pela conquista do sul da Itália pelos romanos, o que deu início a rivalidade entre Roma e Cartago pelo domínio da ilha da Sicília.

Guerras púnicas

Esse conflito foi o fator imediato que desencadeou, em 264 a.C., as Guerras Púnicas. Elas se estenderam, em etapas, até 146 a.C., terminando com a destruição de Cartago. Roma completou sua expansão no Ocidente e estabeleceu províncias na África, na Espanha e na Gália.

Entre 58 a.C. e 51 a.C., César, imperador romano, estendeu o domínio de Roma até a Germânia e a Bretanha.

Após as Guerras Púnicas, Roma iniciou a expansão pelo Mediterrâneo Oriental e nos dois séculos seguintes, conquistou os reinos helenísticos da Macedônia, da Síria, do Egito e da Ásia Menor. No fim do século I a.C., o Mediterrâneo tinha se transformado num “lago romano”, o Mare Nostrum.

Importância do Mar Mediterrâneo para os Romanos

A importância que o Mar Mediterrâneo exerceu sobre os Romanos era tão grande que Geoffrey Norman Blainey, professor das Universidades de Harvard e Melbourne, agraciado pelo ‘New York International Britannica Award’ “pelo seu excelente trabalho na disseminação do conhecimento em favor da humanidade”, em seu livro Uma breve história do mundo, (2008. p. 62),  descreve:

Nenhum outro mar exerceu uma influência tão grande na ascensão do mundo que hoje conhecemos quanto o Mediterrâneo. Sem esse mar, suas qualidades peculiares e posição incomum, a vida política, econômica, social e cultural do mundo teria tomado outro rumo. 

Em uma época em que o mar, desde que fosse calmo, era menos dispendioso e mais rápido do que a terra para o transporte de carga e de passageiros, o Mediterrâneo oferecia vantagens.

O mar unia a África, Europa e Ásia. Uma via marítima que ligava regiões diversas, cada uma produzindo algo diferente – cobre, estanho, ouro, prata, chumbo, vinho, azeite de oliva, grãos, madeira, gado, corantes, roupas, armas, especiarias, pedras de obsidiana e outros luxos. Esse mar era um condutor veloz de ideias e de crenças religiosas. Se a Ásia e a África tivessem possuído um mar tão vasto e central, a história desses continentes teria sido profundamente diferente. Em essência, esse mar era um lago estratégico, com a vantagem de que, no Estreito de Gibraltar, sua garganta abria-se ao imenso oceano.

A crise na República romana

A conquista do Mediterrâneo ocasionou negativas transformações socioeconômicas e políticas em Roma, agravadas pela eclosão de novas lutas sociais. Essa nova realidade deu início à desagregação da República, processo que durou cerca de um século, no período compreendido entre os anos de 133 a.C. a 30 a.C., facilitando o estabelecimento do Império.

A expansão romana resultou em modificações na organização social, de forma que as classes privilegiadas – como os patrícios e plebeus ricos – tornaram-se ainda mais poderosas devido ao aumento de suas fortunas, oriundas do grande desenvolvimento das manufaturas e do comércio. 

As propriedades territoriais das classes ricas também foram ampliadas com a anexação das terras públicas conquistadas, além da aquisição de propriedades nas províncias romanas.

Surgimento dos comerciantes

Sugiram, então, novos segmentos sociais, como as classes dos comerciantes e dos militares. Esses últimos eram cavaleiros que passaram a assumir cada vez mais negócios do Estado, sobretudo no grande comércio internacional. 

Entre esses novos grupos, destacaram-se os publicanos, que contratavam os serviços do Estado – como o fornecimento de armas e de equipamentos militares e o recebimento de impostos – e faziam grandes fortunas, quase sempre por meios ilícitos.

A classe dos pequenos proprietários, por sua vez, estava gradualmente desaparecendo, pois era principalmente entre eles que se recrutavam os legionários e milhares deles tombaram nos campos de batalha.

Se retornasse da guerra, o pequeno proprietário precisava de empréstimos para recuperar sua propriedade e, caso não saldasse suas dívidas, tinha a terra tomada pelo credor.

Ao serem desapropriados, esses indivíduos engrossavam a massa de desempregados. Eles migravam dos campos para as cidades, mas também sofriam coma grande concorrência dos escravos, cujo número aumentou extraordinariamente em consequência das guerras de conquista.

Estima-se que as expedições militares enviaram para a Itália 150 mil escravos que, além de concorrerem com os camponeses, atuaram também como artesãos Eles também realizavam os trabalhos mais pesados nas minas e nas pedreiras e figuraram como os principais trabalhadores domésticos nas casas dos ricos, exercendo, muitas vezes, serviços especializados, como os de secretários, médicos, professores, músicos e dançarinos.

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Referência

BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do mundo. São Paulo: Fundamento Educacional, 2008.

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