O soneto abaixo, de número CXLIII (143), encontra-se no "Cancioneiro" de Petrarca.
Quando te ouço falar tão docemente,
como Amor aos sequazes seus instila,
o acesso meu querer todo cintila,
pois que inflamas até quem não é quente.
E então a bela dama me é presente,
como jamais me foi doce e tranquila;
qual campainha que leve som destila
meus suspiros me acordam de repente.
Cabelo na aura solto, e para mim
voltada a vejo; e bela torna assim,
como a quem tem a chave, ao coração.
Mas o muito prazer deixa travada
minha língua, e onde dentro é pousada
a audácia de mostrar me falta tanto.
PETRARCA, Francesco. Cancioneiro. Trad. José Clemente Pozenato. Campinas: Ateliê Editorial; Editora da Unicamp, 2014 (p. 255).
Esse soneto é um exemplo do Classicismo porque