PROPOSTA DE REDAÇÃO
Texto IV
Texto I
Por que acontecem enchentes?
É comum que aconteçam enchentes e cheias - o problema é quando os seus desdobramentos afetam cidades e outras áreas de circulação urbana, alagando-as. "As enchentes na prática são os eventos naturais dos rios. Eles sempre enchem nos períodos das chuvas e esvaziam nos períodos das secas", esclarece o arquiteto paisagista Paulo Pellegrino, professor da FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo).
Desse modo, não é incomum encontrar próximo aos rios as chamadas planícies de inundação, áreas tomadas pela água quando há períodos maiores e mais intensos de chuvas. Isso seria algo corriqueiro se não houvesse construções urbanas ocupando indevidamente esse espaço.
Quando as inundações se tornam um problema?
Para Pellegrino, a principal preocupação deve ser com as inundações e os alagamentos em que as águas atingem as estruturas construídas, como ruas, avenidas e edificações, causando prejuízos. Segundo ele, as inundações são criadas pela intervenção errônea do ser humano ao ocupar áreas das cheias dos rios. "Em São Paulo, quando ocupamos as várzeas, estamos nos colocando em risco. As áreas baixas, fundos e vales são locais que naturalmente estão sujeitos a esses problemas trazidos pela lógica de como foi feita a ocupação da cidade", completa.
Ainda tomando São Paulo como exemplo, o arquiteto paisagista lembra que a ocupação das várzeas foi feita de forma deliberada a partir de um projeto de drenagem das áreas planas. "Muito atraente para o mercado imobiliário, foi feito todo um plano que atrelou as avenidas de fundo de várzea a essas áreas de cheias das águas e ocasionou o problema que temos hoje", aponta.
Ademais, vale lembrar que há diferentes tipos de alagamentos e inundações. Os causados por erros de planejamento humano se referem geralmente à falta de capacidade do sistema de drenagem, absorção do solo e escoamento das águas das chuvas, bem como ao rompimento de barragens e comportas. Além das inundações causadas pela cheia dos rios nas áreas de várzea, ainda existem as causadas por eventos marítimos.
Como evitar as inundações nas cidades?
Em parte, a solução do problema ocasionado pelas cheias dos rios nas cidades é contornada ou amenizada com a construção de piscinões. No entanto, essa válvula de escape nem sempre é suficiente.
"A chuva deveria ser absorvida onde ela cai e não ter um escoamento superficial que vai rodar pela cidade até encontrar uma válvula de escape, que às vezes é o sistema de água pluviais e outras vezes é o transbordamento", aponta Denise Duarte, membro da Coalizão Ciência e Sociedade e professora do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética da USP.
(Disponível em <uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2022/01/09/por-que-tantas-enchentes-estao-acontecendo-no-brasil.htm> Acesso em 15 mar. 2023)
Texto II
Crônica da Cidade: As lições da lama
Severino Francisco
27/01/2019
Tentei falar sobre outro tema mais ameno, mas a lama da tragédia de Brumadinho me atropelou. No momento em que escrevo, morreram nove pessoas e mais de 300 estão desaparecidas, possivelmente soterradas pela avalanche de rejeitos da mineração, depois do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão.
A catástrofe dói ainda mais porque é uma repetição em série de outra, em um município de Mariana, em 2015, o maior desastre ambiental com barragens ocorrido no mundo. O mar de lama atingiu 650 quilômetros de Minas Gerais e Espírito Santo, matou 19 pessoas e desalojou 300 famílias.
No entanto, o cálculo dos ambientalistas é de que cerca de 500 mil pessoas teriam sido afetadas, de alguma maneira, pela hecatombe. A barragem era administrada pela empresa Samarco, operadora de uma parceria entre a britânica Billiton e a Vale.
E o que aconteceu depois da tragédia de Mariana? Um projeto de lei para endurecer a fiscalização das mineradoras foi rejeitado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O deputado João Victor (PSDB), relator do projeto, declarou à BBC Brasil que o lobbie das empresas foi muito forte. Disse, ainda, que Minas tem 400 barragens que são verdadeiras bombas-relógios e novos desastres podem ocorrer.
Vinte e duas pessoas e quatro empresas respondem pelo desastre na Justiça, mas no ritmo brasileiro. Em vez de fortalecidos, as leis e os órgãos de monitoramento e fiscalização foram fragilizados. Sem essa evocação dos fatos da primeira tragédia não entenderemos a segunda. É algo de uma irresponsabilidade revoltante.
A nova tragédia de Brumadinho é uma metáfora do Brasil, um país que não tira lições sequer das catástrofes. Errar é humano, mas insistir no erro é sandice. Tudo converge para o culto acrítico dos números. Não importa o interesse público; só importa o sucesso na bolsa de valores.
Estava retornando para casa de táxi quando um carro ultrapassou como um foguete e assustou o motorista que me conduzia. Ele comentou: ;Esse cara dirigia a mais de 160km;. Eu disse a ele que todos os valores cultivados no Brasil atual estão envolvidos, de alguma maneira, no desastre de Brumadinho: a impunidade, a falta de cuidado com o outro, a ganância predadora, a incapacidade de aprender com os erros, a ignorância, a deseducação, a destruição das redes institucionais de proteção aos cidadãos, a cegueira ambiental, o culto alienado dos números em detrimento do interesse público.
Estamos soterrados embaixo dos rejeitos dessa lama moral. É óbvio que esses valores nos empurram para a barbárie. Somos todos, em diferentes graus, responsáveis pelo desastre. A questão ambiental tem sido depreciada e ridicularizada. Mas deveria ser abraçada, em primeiro lugar, pelos governantes e pelas empresas.
Ela não tem partido, pertence a todos nós, é uma questão óbvia de sobrevivência. Essa é uma das lições da lama. Não sou consultor de segurança; sou consultor de insegurança. A tragédia da lama brasileira nos convida a uma dura reflexão e revisão de valores.
(Disponível em <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/01/27/interna_cidadesdf,733341/cronica-da-cidade-as-licoes-da-lama.shtml> Acesso em 15 mar. 2023)
Texto III

(Disponível em <https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/meio-ambiente-uma-equacao-ainda-sem-solucao-a-vista/> Acesso em 15 mar. 2023)

(Disponível em <https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/meio-ambiente-uma-equacao-ainda-sem-solucao-a-vista/> Acesso em 15 mar. 2023)
Texto IV
Absurdo
Vanessa da Mata
Havia tanto pra lhe contar
A natureza
Mudava a forma o estado e o lugar
Era absurdo
Havia tanto pra lhe mostrar
Era tão belo
Mas olhe agora o estrago em que está
Tapetes fartos de folhas e flores
O chão do mundo se varre aqui
Essa ideia do natural ser sujo
Do inorgânico não se faz
Destruição é reflexo do humano
Se a ambição desumana o Ser
Essa imagem infértil do deserto
Nunca pensei que chegasse aqui
Auto-destrutivos
Falsas vitimas nocivas?
Havia tanto pra aproveitar
Sem poderio
Tantas historias, tantos sabores
Capins dourados
Havia tanto pra respirar
Era tão fino
Naqueles rios a gente banhava
Desmatam tudo e reclamam do tempo
Que ironia conflitante ser
Desequilíbrio que alimenta as pragas
Alterado grão, alterado pão
Sujamos rios, dependemos das águas
Tanto faz os meios violentos
Luxúria é ética do perverso vivo
Morto por dinheiro
Cores, tantas cores
Tais belezas
Foram-se
Versos e estrelas
Tantas fadas que eu não vi
Falsos bens, progresso?
Com a mãe, ingratidão
Deram o galinheiro
Pra raposa vigiar
(Bráulio Bessa, Poesia com rapadura. Disponível em <https://www.otempo.com.br/charges/charge-o-tempo-03-11-2017-1.1538412/> Acesso em 06 jan. 2021)
Redação
Com base nos textos da prova de Língua Portuguesa, bem como no seu conhecimento de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo, em prosa, sobre o seguinte tema:
Desastres ambientais e sua relação com a desigualdade social
Orientações
• Considere os textos da prova de Língua Portuguesa como motivadores e fonte de dados. Não os copie, sob pena de ter a redação zerada.
• A redação deverá conter no mínimo 100 (cem) palavras, considerando-se palavras todas aquelas pertencentes às classes gramaticais da Língua Portuguesa.
• Recomenda-se que a redação seja escrita em letra cursiva legível. Caso seja utilizada letra de forma (caixa alta), as letras maiúsculas deverão receber o devido realce.
• Utilize caneta de tinta preta ou azul.
• Dê um título a sua redação.