Questão
Simulado EsPCEx
2022
4000056792
Discursiva
(PROPOSTA DE REDAÇÃO)

Texto I

Qual é a primeira coisa que você faz quando abre a geladeira e vê que há um alimento cujo prazo de validade já expirou ou tem uma aparência ruim? Possivelmente, você o joga fora.

Mas você já parou para analisar quais são as consequências de desperdiçar comida?

Se sua resposta for não, não se preocupe, pois, de fato, a verdadeira escala de desperdício de alimentos no mundo e seu impacto não foram totalmente medidos até hoje.

Essa é uma das conclusões do relatório mais recente e abrangente sobre o assunto do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da organização britânica de resíduos WRAP.

O chamado "Índice de Desperdício de Alimentos 2021" apresenta um número quase assustador: em 2019, foram 931 milhões de toneladas de alimentos desperdiçados. Isso sugere que 17% da produção total de alimentos do mundo foram para o lixo.

A título de curiosidade, esse número é o equivalente a 23 milhões de caminhões de 40 toneladas totalmente carregados com alimentos, que alinhados dariam a volta na Terra sete vezes.

(Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56377418> Acesso em 07 mai. 2021)

Texto II

O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), indica que nos últimos meses do ano passado 19 milhões de brasileiros passaram fome e mais da metade dos domicílios no país enfrentou algum grau de insegurança alimentar.

A sondagem inédita estima que 55,2% dos lares brasileiros, ou o correspondente a 116,8 milhões de pessoas, conviveram com algum grau de insegurança alimentar no final de 2020 e 9% deles vivenciaram insegurança alimentar grave, isto é, passaram fome, nos três meses anteriores ao período de coleta, feita em dezembro de 2020, em 2.180 domicílios.

De acordo com os pesquisadores, o número encontrado de 19 milhões de brasileiros que passaram fome na pandemia do novo coronavírus é o dobro do que foi registrado em 2009, com o retorno ao nível observado em 2004.

O inquérito foi feito em parceria com a Action Aid Brasil, Friedrich Ebert Stiftung Brasil (FES Brasil) e Oxfam Brasil, com apoio do Instituto Ibirapitanga. A coleta de dados ocorreu entre os dias 5 e 24 de dezembro de 2020 nas cinco regiões brasileiras, abrangendo tanto áreas rurais como urbanas, no período em que o auxílio emergencial concedido pelo governo federal a 68 milhões de brasileiros, no valor inicial de R$ 600 mensais, havia sido reduzido para R$ 300 ao mês.

(Disponível em <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-04/pesquisa-revela-que-19-milhoes-passaram-fome-no-brasil-no-fim-de-2020> Acesso em 07 mai. 2021)

Texto III

Atualmente a má alimentação infantil é o principal fator de risco para o surgimento de doenças. O Dr. Paulo Miranda, médico endocrinologista cooperado da Unimed BH e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, alerta para a gravidade da situação que envolve a pouca qualidade da alimentação das crianças de maneira geral e as suas consequências: “isso é uma preocupação de saúde pública e o impacto em termos de doenças crônico-degenerativas será enorme com o avançar da idade desse grupo populacional”.

O médico cita a necessidade de se estabelecer processos de educação alimentar dentro de casa e nas escolas. “Criança necessita de tutela e educação em todos os pontos. O que se oferta a ela deve ser organizado, antes de tudo, pelos pais, e depois no ambiente escolar”, afirma. Para reforçar a importância do que se aprende dentro de casa, o médico cita a adaptação das crianças aos alimentos hiperpalatáveis como salgadinhos, salsichas, biscoitos recheados e carnes processadas, como responsável por criar um hábito alimentar errado nas crianças. “Isso acontece pela perda da transferência cultural dos hábitos culinários familiares, como as receitas que passam por gerações, o ato de cozinhar em conjunto, de trazer a criança para o preparo do alimento”, salienta. O médico cita a própria experiência como exemplo de como a convivência em família pode melhorar a alimentação de todos na casa: “durante esse processo de pandemia, tive mais tempo de ficar em casa e desenvolvi várias atividades relacionadas à culinária com o meu filho que, depois disso, passou a aceitar diversos alimentos que com o tempo ele já não estava querendo mais incluir no dia a dia”.

(Disponível em <https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/especial-publicitario/bem-viver-em-minas/noticia/2021/03/12/a-importancia-da-alimentacao-saudavel-na-infancia.ghtml> Acesso em 7 mai. 2021)

Com base nos textos de apoio, nos texto da prova e em seus conhecimentos gerais, construa um texto dissertativo-argumentativo, em terceira pessoa, de 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas, sobre o tema:

“O acesso à alimentação no Brasil”

OBSERVAÇÕES:

1. Aborde o tema sem se restringir a casos particulares ou específicos ou a uma determinada pessoa.

2. Formule uma opinião sobre o assunto e apresente argumentos que defendam seu ponto de vista, sem transcrever literalmente trechos dos textos de apoio.

3. Não se esqueça de atribuir um título ao texto.

4. A redação será considerada inválida (grau zero) nos seguintes casos:

– texto com qualquer marca que possa identificar o candidato;

– modalidade diferente da dissertativa;

– insuficiência vocabular, excesso de oralidade e/ou graves erros gramaticais;

– constituída de frases soltas, sem o emprego adequado de elementos coesivos;

– fuga do tema proposto;

– texto ilegível;

– em forma de poema ou outra que não em prosa;

– linguagem incompreensível ou vulgar;

– texto em branco ou com menos de 17 (dezessete) ou mais de 38 (trinta e oito) linhas; e

- uso de lápis ou caneta de tinta diferente da cor azul ou preta.

5. Se sua redação tiver entre 17 (dezessete) e 24 (vinte e quatro) linhas, inclusive, ou entre 31 (trinta e uma) e 38 (trinta e oito) linhas, também inclusive, sua nota será diminuída, mas não implicará grau zero.