Questão
Colégio Militar - CM - 6º Ano
2016
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.

Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado.

Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.

Todos os dias, com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina.

As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele ficou, o focinho voltado para aquela direção.

Lygia Fagundes Telles. A disciplina do amor.

O trecho que situa o elemento gerador do conflito nesse conto é:
A
“[...] voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.”
B
“Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado.”
C
“[...] com o passar dos anos, [...] as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou.”
D
“O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a Esperança.”
E
“Só o cachorro já velhíssimo [...] continuou a esperá-lo na sua esquina.”